quinta-feira, março 22, 2012

A semente do Amor

Ele, o menino, tinha 10 anos, quando viu aquela menininha brincando na calçada, ele viu a ternura dos seus gestos e disse, "Oi, quantos anos você tem?". Ela quis sorrir de vergonha, mas esboçou um quase sorriso e disse timidamente, "seis". Ele então enfiou-se para dentro de si e pensou um pouco, e falou, "Senta aqui , deixa eu pentear seu cabelo?". Ela apenas concordou, e sentou de "chinezinho" na frente dele, ele soltou seus cabelos e penteou calmamente, e percebia quão agradável estava sendo com ela, a menina gostou de ter os cabelos penteados, embora fosse muito novinha para achar o fato estranho. Ele penteou e fez uma trança, virou-se para ela e fitou-a por longos minutos como se quisesse entrar em seu coração, "Sabe, você não me conhece, mas eu sou o teu amor, quero que você me guarde bem aqui no seu coraçãozinho. Um dia você vai entender!". 
E depois de tocar o coração da menininha , o garoto saiu, e ela continuou a brincar com seus gestos ternos. 
Dias depois, quando a mãe da menina penteava seu cabelo , arrumando-a para ir à escola, espontaneamente a garotinha perguntou, "eu sou teu amor , mamãe?" e a mãe admirada respondeu num tom quase rouco, "sim filha".
É! A menina assimilou o amor da mãe com o que o menino disse sentir, pelo toque nos cabelos, era como se quem me faz uma trança, não me fará mal.. Dias demorados e sem ansiedade passavam e o garoto sempre ali, brincando com a garotinha, sempre indo embora, antes que alguém pudesse repreendê-lo. Os anos  passavam. Adolescentes, ela não se submetia mais aos afagos nos cabelos, ela agora não achava o garoto agradável, ela o achava chato, espichado, e espinhento. Ele tornara invisível aos olhos dela, e estava lá, mas, não permitia ser visto, ele fitava-a sem ela notar sua presença. Ele ainda a achava linda com toda ternura que havia nos seus gestos, e de longe a protegia. Ambos lembram do dia em que na saída da escola um outro garoto parou a doce meiguice, para conversar e , o menino espinhento veio como uma fera, surgindo do nada, socando a cara do invasor. A meiguice repentinamente sumira e a menina categoricamente reagiu, "troglodita, o que você fez? Ele era só um amigo, porquê, você faz isso? Não quero você me rodeando , me vigiando, não deixe que meu pai saiba de seu atrevimento."
 Ele viu-se obrigado a vigiá-la em segredo, e puniu-se enfiado para dentro, a não olhá-la nos olhos. Assim novamente passava os dias e em todo recreio ele deixava uma coca-cola e um salgado pago no barzinho da escola, para sua amada. Ela aproveitava de não precisar recompensá-lo e aceitava, sempre
ela pegava a coca-cola , o salgado e infiltrava-se na roda de amigas... A Juventude chegara. Ela, a menina tinha 18 anos. A faculdade era inenarravelmente atraente aos olhos do rapaz, que ganhara corpo e voz. A moça meiga, caracterizava-se tímida demais para aceitar qualquer aproximação. Ela é quem estava invisível agora, tudo mudou. Ele entendera que o melhor era fazer que não sabia da presença dela. Foram muitos momentos em que se cruzaram nos corredores da faculdade, "ele não lembra mais de mim!". Ele disfarçava, e ria por dentro, entendera o jogo, e ela, entendeu "...um dia você vai entender..." Ela correu para os braços dele e disse,"porquê você fez isso?" com cautela na força, ele a abraçou e respondeu,"o que eu fiz?" ela encostou a cabeça no peito dele e suspirou, "me fez te amar."  Então ele afagou os cabelos dela e disse beijando sua testa, "eu sou seu protetor, eu sou o seu amor".

2 comentários:

  1. Linda história de amor... a persistência, a lealdade e o amor é obvio sempre são recompensados. Abraços.

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